sábado, 18 de setembro de 2010
Reflexão depois de tantas coincidências (ou não)
Felizmente durante estes meus quase 23 anos de existência já tive a sorte de, por diversas vezes, passar longas temporadas no estrangeiro. Mais uma vez revivo aquilo que sempre sinto: que pequena que sou neste mundo. Este é, de facto, um sentimento menos frequente na minha cidade natal. Aqui no Canadá, mais uma vez, consciencializo-me do quão minúscula sou e isso, às vezes, mete medo. No entanto, dias como o de 15 de Setembro de 2010 vêm tranquilizar-me. “És pequena Catarina. Mas o mundo também é pequeno.”
(Não) há coincidências?!
15 de Setembro, dia de rali bares. Mais um evento organizado para os estudantes internacionais como eu. 4 bares e 3 bebidas grátis. No primeiro bar encontro umas amigas indianas que estavam com outras com quem comecei a conversar. Passados uns minutos conversava conversava só com uma delas e afastámo-nos um pouco para nos ouvirmos mutuamente dado o burburinho à volta. No fim da intensa conversa perguntei cordialmente: “How old are you?” “I’ll turn 22 next month.” “When exactly?” “October 19th.” Fiquei perplexa. Fazemos anos no mesmo dia. Que coincidência (ou não) engraçada. No terceiro bar foram-me apresentadas duas canadianas. Comecei a conversar animadamante com uma delas. Perguntei-lhe se já tinha feito algum programa de intercâmbio. “No, I’ll go to Vienna next semester.” “To which university?” “WU!” Nada mais nada menos do que a universidade de Viena onde fiz erasmus no meu terceiro ano da licenciatura. Mais uma coincidência?! No quarto bar, ainda antes de entrar, ora 'portantos' na linha, fila, bicha, como preferirem, meti conversa com uns jovens que falavam em alemão. Contei-lhes que o meu apelido era alemão mas que eu era portuguesa. Eles disseram-me que eram austríacos e que estudavam… onde? Na WU, mais uma vez. Na altura em que lá estive eles lá estavam. Mais uma coincidência?! Ía dizer “não há duas sem três” mas já foi a terceira. Neste caso, não há três sem quatro. Depois da conversa com os austríacos comecei a conversar com duas canadianas que estavam também à espera para entrar. Perguntei-lhes de onde eram e outros etcetras e apresentei-me. Disse que era portuguesa e que vivia em Lisboa. Uma delas pulou e disse: “I just got back from Lisbon. I went to study there for a semester!” “In which university did you study?” “Católica!”. De facto, a cara dela não me era estranha. Quatro supostas coincidências num mesmo dia. Será coincidência?
Verão é Verão
Qualquer que seja a temperatura, Verão é Verão, faça sol, faça chuva. De Junho a Setembro não há menina canadiana que não saia à rua com o seu mini-calção.
Queen’s brand
Estou, ainda, perplexa, desde que cheguei, com os milhares de dólares movimentados na Queen’s University no que respeita à marca Queen’s. Kingston é uma cidade pequena, com cerca de 200.000 habitantes entre o centro e arredores. Aproximadamente 1/6 do centro da cidade poderá dizer-se que é campus universitário. Nesse campus passeiam-se os cerca de 22.000 alunos desta universidade que constituem o target da marca. Desde uma linha inteira de roupa casual com kits que não poderiam estar mais na moda, roupa de desporto, acessórios, adereços, enfeites, porta-chaves, cestos de roupa-suja, loiça, imitações SIGG variadas, autocolantes, todo o tipo de material escolar, e mais não me lembro. Tudo, sempre, com o logo Queen’s. Se fosse em Portugal será que vingava? Nas américas, onde o espírito académico atinge níveis altíssimos, até os portugueses aderem à moda.
Anúncio aos pólos Queen's
Logo
Mesmo à canadiana
Referimo-nos muitas vezes a determinadas situações como: “mesmo à americana”. Desta vez, porque estou no Canadá, ficaria mal utilizar a mesma expressão sendo que são os canadianos os actores da peça. Um facto curioso é que a situação sobre a qual vou relatar é um jogo de futebol americano. No passado Domingo, dia 12 de Setemebro, fui assistir, pela primeira vez, a um jogo de futebol americano entre universidades: Queen’s vs. Windsor, a minha universidade contra outra também canadiana situada numa cidade, como dizem eles, nearby (a cerca de 5 horas de distância by car). Chovia nesse dia, mas nada é motivo para não assistir ao desporto predilecto dos canadianos, neste caso, dos milhares de estudantes de Queen’s. O jogo foi um verdadeiro espectáculo com inúmeras actuações. Devo dizer que do jogo pouco retive já que das regras pouco percebo e outras situações chamavam pela minha atenção. Passo a enumerar: dois grupos de cheerleaders com coreografias fantásticas, uma banda de música escocesa acompanhada de vários dançarinos vestidos a rigor, trezentos árbitros vestidos de preto e branco, vários comentadores, câmaras de televisão, fotógrafos, uma assistência vestida a rigor entoando gritos, aplausos e suspiros, enfim... aqui, nunca subestimar o desporto académico!
Richardson Stadium
Catarina, Hetal e Vasco
A sorte sempre bate à porta
Fazer conversa, sempre, só traz vantagens. No estrangeiro é mais comum fazer-se conversa. Pelo menos comigo é assim. Ainda no táxi a voltar da discoteca em que fui 'barrada' resolvi pôr a conversa em dia com o motorista (este tinha sido o mesmo que me tinha trazido no dia da chegada). Perguntei-lhe pelo tempo, pelos programas que poderia fazer nesta altura do ano, pelas estâncias de neve, etc. Relativamente a este último tópico, o senhor escreveu-me na parte de trás de um cartão de visita o nome e morada de uma agência que faz bons preços. E assim foi. Paguei, saí do táxi, o táxi seguiu, fui buscar as chaves e não as encontrei. A única esperança residia naquele cartão de visita que prontamente agarrei para discar o número que aparecia em letras pretas grandes e gordas. Uma senhora atendeu, "bolas, é o número geral!". Pois é, e aqui começou a minha sorte, depois do azar. Já era dia 10. Antes de saír do táxi perguntei: “What’s your name?” “Chris.” “I am Catarina. Nice to meet you Chris!”. Fazer conversa valeu-me ter as chaves de volta no dia seguinte e o não pagamento de uma multa no valor de $125, aproximadamente 96€.
No mesmo dia mas de manhã fui tomar o pequeno-almoço à cafeteria da residência. Encontrei à entrada o senhor Kevin da limpeza. Este senhor foi-me apresentado no meu segundo dia na residência pela senhora Gina, portuguesa cuja simpatia conquistei. Estive bastante tempo à conversa com ele, tanto no dia em que o conheci como nesse dia. Falei-lhe da distância da residência para universidade e na minha intenção de comprar uma bicicleta. Pedi-lhe conselhos de locais de compra. No final, segui para o pequeno-almoço. À saída cruzei-me novamente com ele: “I think I might have a bicycle for you. Someone, last year, left one here.” No dia seguinte o senhor Kevin ofereceu-me uma bicicleta. Não há nada como fazer conversa e, acima de tudo, ser sempre simpático!
No mesmo dia mas de manhã fui tomar o pequeno-almoço à cafeteria da residência. Encontrei à entrada o senhor Kevin da limpeza. Este senhor foi-me apresentado no meu segundo dia na residência pela senhora Gina, portuguesa cuja simpatia conquistei. Estive bastante tempo à conversa com ele, tanto no dia em que o conheci como nesse dia. Falei-lhe da distância da residência para universidade e na minha intenção de comprar uma bicicleta. Pedi-lhe conselhos de locais de compra. No final, segui para o pequeno-almoço. À saída cruzei-me novamente com ele: “I think I might have a bicycle for you. Someone, last year, left one here.” No dia seguinte o senhor Kevin ofereceu-me uma bicicleta. Não há nada como fazer conversa e, acima de tudo, ser sempre simpático!
Quinta-feira 9
Ao lerem o título deste post, pela sua forma, o que vos vem à cabeça? Presumo que… Sexta-feira 13. Pois bem, dia 9 de Setembro não era sexta-feira, nem dia 13 e mesmo assim foi um dia de muitos azares. Numa casa privada algures no centro de Kingston encontrava-me eu e mais uns cento e quantos estudantes de Commerce (assim o dizem, em vez de Business, vá-se lá saber porquê) numa festa propositadamente organizada para introduzir os estudantes internacionais do programa de intercâmbio. Ofereciam cerveja e uma bebida apelidada de Purple Jesus, um líquido roxo com um sabor entre a groselha e o maracujá. Se era bom?! Não percebi bem, mas bebia-se. O primeiro azar começou depois dessa festa. No caminho para a discoteca, um percurso de cerca de 5 minutos a pé levou 45: enganámo-nos no caminho. O que seria uma palmadinha nos meus pés assentes num salto tornou-se numa tareia. Segundo azar, cheguei à discoteca e não tinha BI. "Não tem identificação não entra e não há cá excepções." Aqui no Canadá menor de 19 não entra em estabelecimentos de diversão nocturna. Sozinha, apanhei um táxi para a residência. Paguei, saí do táxi, o táxi seguiu, fui buscar as chaves à carteira e... terceiro azar, as chaves ficaram no táxi. Que noite. Ainda acreditam na "Sexta-feira 13?"
Frosh Week
Se virem passar na rua uns indivíduos roxos, de cabelo em pé com diferentes formatos e com cores variadas, saia tipo escocesa por baixo do joelho e bota tropa, não se admirem. São os alunos do primeiro ano de engenharia da Queen’s University. Se virem na rua vários indivíduos com fato macaco azul salpicado de tintas às cores, são os alunos de artes. E assim sucessivamente. A semana das praxes, frosh week se preferirem, é preparada ao pormenor e envolve uma grandiosa logística.
Praxes num jardim da cidade
A simpatia, às vezes, tem que ser conquistada
Terça-feira, 7 de Setembro, 4 da manhã, acordo - Jet Lag. Lá me esforcei e voltei a adormecer. 11 da manhã desço para o refeitório da residência, aqui chamado de cafeteria. Uma senhora de avental e touca atende-me. De seu nome Gina pergunta-me o que desejo tomar. Olhei para um queque com óptimo aspecto e perguntei: “What does this cake have?”, ao que a senhora, muito antipaticamente, responde: “That’s not a cake, that’s a muffin.” Normalmente, quando me deparo com pessoas antipáticas faço o contrário delas, sou exageradamente simpática. Naquele dia não foi excepção até porque estando 4 meses nesta residência há-que criar bons contactos. Comecei por lhe contar a minha chegada, o que estava aqui a fazer e de onde era…e diz-me ela: “Ah, não posso, eu também sou portuguesa”. Uma transformação aconteceu então, a senhora Gina passou a transbordar simpatia. É por isso que digo, a simpatia, às vezes, tem que ser conquistada. E isso não é necessariamente mau. Portanto, não desistir à primeira!
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Jean Royce Hall
O título deste post é o nome da minha residência. Um edifício grande a cerca de 20 minutos a pé da universidade, em tons de amarelo e encarnado, não muito bonito e dividido por casas dentro de uma outra maior. Cheguei de táxi por volta das duas da manhã ao meu futuro quarto inserido na Angus House: uma das casitas da residência, com três andares, uma cozinha e sala-de-estar em cada andar e um laundry room. Com uma janela virada para a porta principal da residência, uma cama single confortável, uma secretária, um pequeno armário e duas cómodas, uma com gavetas e prateleiras e outra só com prateleiras estava-me apresentado o meu novo quarto. Bastante bom. Mas, como seria de esperar da minha pessoa, precisaria de umas pequenas mudanças. (Para quem não sabe, o meu quarto de Lisboa sofre mudanças drásticas pelo menos duas vezes por ano sempre com a mesma mobília. Acho que a última foi de vez.)
Uma das entradas para a residência (a terceira linha de janelas à direita é da minha sala e cozinha)
Até à chegada
Depois de um verão atarefado em que foram dominantes 3 experiências fortes: 1 mês em Moçambique, 1 campo de férias de Carrações e 1 campo de férias de Sairef, viajei rumo ao Canadá onde vou passar os próximos 4 meses. 7h30 era a hora do meu primeiro voo até Madrid onde apanharia o meu segundo voo até Toronto pelas 13h30. Com uma hora de atraso este último partiu sem grandes turbulências e oito horas e meia depois estava a aterrar em Toronto, a cidade que muitos, erradamente, pensam ser a capital do Canadá. O próximo passo seria apanhar o comboio até Kingston, o meu destino final. No balcão de informações uma senhora, aparentente com os seus trinta e tal anos, loira e serena, informou-me sobre os preços do autocarro que iria levar o Vasco (um rapaz português muito simpático que chegou exactamente no mesmo dia, por volta da mesma hora, que fez escala em Madrid mas que não veio no mesmo avião que eu e que vai também estudar durante este semestre na cidade de Kingston) e eu até ao centro da cidade de Toronto onde iríamos apanhar o comboio até à nova casa. Durante a conversa com a senhora ela foi tornando-se cada vez mais simpática com propostas de preços cada vez melhores até que no final me acompanhou até à paragem do autocarro e ainda me fez um elogio à minha cor de pele (altura em que ainda tinha alguma cor…). A primeira impressão dos canadianos foi, portanto, muito boa. Chegados à estação dos comboios descobrimos que o próximo só partiria 4 horas depois. Apesar de muito cansados, sem qualquer hesitação, pensámos no lado positivo da situação: “No centro de Toronto, com 4 horas de espera, porque não subir a uma das maiores torres do mundo, a CN Tower, e admirar a cidade ao final do dia?”
Uma das vistas da CN Tower
O porquê do blog
Se não escrever será que mais tarde me lembro? Talvez sim, mas apenas memórias pouco concretas, sentimentos e emoções gerais e dominantes. Decidi, portanto, ir compilando pequenas histórias que não quero esquecer e que possam ser partilhadas até porque, como alguém disse no passado, “a felicidade só é verdadeira quando partilhada”.
O nome
Não estou em Portugal. De inícios de Setembro até finais de Dezembro de 2010 estarei na América do Norte, mais concretamente, no Canadá: +CA__N_ADA+ NA_ +AMÉRICA_+. De finais de Dezembro de 2010 até finais de Janeiro de 2011 andarei de mochila pela América do Sul: +CAMINHADA+ NAS +AMÉRICAS+. Enjoy!
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